Julia Klein – Alemanha    +

Julia Klein é pioneira quando se trata de contar histórias em Bremen. Durante os últimos sete anos, ela tem sido uma contadora de histórias profissional, tanto na cidade como em festivais em todo o país. Com a sua série “Histórias da/na torre”, ela se apresenta desde 2002 uma vez por mês no espaço cultural Schlachthof, retratando a diversidade narrativa da cena europeia. Desde 2007 é também diretora artística do Festival Narrativo Internacional Feuerspuren. Além disso é professora no departamento de línguas na Universidade de Bremen, onde explora as diferentes formas de narrativa como um meio para o ensino de línguas. O que ela chama de “Contemporary Storytelling” é uma corrente do setor das artes do espetáculo em constante evolução. Muito além de contos dos Irmãos Grimm , essa sua forma de contar histórias oferece a oportunidade de criar e desenvolver novas histórias ou então (re)interpretar histórias antigas, com novos elementos surpreendentes. O especial sobre contar histórias, e isso é válido hoje, assim como há milhares de anos atrás, é a proximidade especial com o público, a troca direta. Julia Klein inventa suas próprias histórias para suas apresentações mas também (re)interpreta histórias existentes e tradicionais. Ela também inventa “histórias de rosas” na hora da apresentação, que são produzidas em interação com o público. Ela diz que as rosas são bonitas no jardim, úteis na medicina alternativa caseira, cheirosas e sensíveis em cosméticos, e um ornamento lindo em mesas da sala de jantar. Elas são mensageiras do amor, e podem ser um sinal de simpatia mas também de tristeza e sofrimento. Seu nome “rosa” aparece na política  – como no caso do importante grupo alemão de resistência ao nazismo chamado rosa branca – bem como no hospital. E elas aparecem também em contos de fadas, nos mitos e nos escritos de diferentes religiões do mundo. Essa ampla gama de associações é como uma “mesa posta” para a “comerciante de história” (Geschichtenhändlerin) Julia Klein. Ela desenvolveu também um método para “multilingual storytelling”. A ideia surgiu em uma conversa com Sabine Michaelis, assistente de um senador para “Assuntos Sociais”. A pergunta inicial foi: Quais são as atividades culturais apropriadas para pessoas de diferentes origens nas chamadas áreas de foco da cidade? Assim surgiram então, no Centro Cultural Schlachthof, atividades como as “tardes informais multilinguísticas”. Essas também acontecem em espaços diferentes, como por exemplo tendas de circo ou parques e outros espaços abertos. Nessas atividades os contadores de histórias as contam em seus idiomas nativos, dentre eles contos provenientes do Irã, da Índia, da Rússia e da Turquia. Enquanto isso, Julia Klein faz breves resumos em alemão. “Jogamos com retrospectivas e perspectivas, trabalhando aqui com gestos muito claros.” Outro importante papel nas atividades é desempenhado pela música. Dois músicos da Orquestra Imigrante Bremen acompanham os contos de fadas com instrumentos, e tocando músicas tradicionais dos respectivos países. No final, as habilidades linguísticas da plateia são colocadas em questão. Junto com o público, uma determinada história conhecida é contada em cinco línguas diferentes. Mas caso alguém da plateia saiba contar uma parte em outra língua, é convidada para também subir no palco e contar. Já houve um evento em que um história chegou a ser contada em vinte línguas diferentes. Julia espera que esse tipo de atividade tenha continuidade. A experiência tem demonstrado que nesse tipo de evento se estabelece uma relação com pessoas que raramente visitam eventos culturais. Depois de finalizado o ato de contar histórias, o evento segue com rodas de conversa, música e muitas vezes com a continuação e o desenvolvimento de histórias. Pois histórias atraem histórias. Outro aspecto especial desse evento também é permitir que um número de diferentes línguas tenham a sua vez e voz, para que todos compreendam a história, às vezes mais e às vezes menos. Assim, todos os sons se combinam para criar um som global para celebrar o tesouro linguística no coração de Bremen.