Juízo

Um dia, quando o mulá era juiz em seu povoado, entrou correndo um homem desgrenhado pedindo justiça.

– Fizeram uma emboscada e me roubaram uns instantes atrás na entrada do seu povoado – gritou. – Deve ter sido alguém daqui. Peço que encontre o delinquente, pois ele levou meu manto, minha espada e até minhas botas.

– Deixe-me ver – disse o mulá. – Não levou a camisa? Vejo que ainda a está usando.

– Não, isso não.

– Neste caso, o ladrão não era deste povoado. Aqui, o que se faz, se faz bem. Não deixamos nada por terminar. Não me compete avaliar seu caso.

do livro Nasrudin: 99 Contos, organizado por Felipe Varella e publicado pela Caravana de Livros